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domingo, 13 de março de 2011

Meia noite

É meia noite
Tudo acontece
A cidade dorme a essa hora
Mas as pessoas não
Algumas veem tv
Outras fazem o que bem entendem
Sei que escrevo ébrio
Em meio a tantas pessoas que nada parecido fazem
Soluço, mas não é nada
Minha cabeça lateja colorida
O céu negro encobre o avião que passa
A torneira elétrica foi ligada
Toma-se água
Engole-se remédio
Enquanto bebo o liquido negro
Tento em vão excluir lembranças
Fujo da obrigação
Porém ela só acumula-se
Ligo para alguém
Mas o telefone está mudo
As linhas estão ocupadas
Por palavras humanas
É meia noite
A volúpia ébria está inconstante
Não sei o que falo
Mas não rimo
Sei que vejo olhos azuis
Os quero
Como em um poema antes escrito
Não há conexão
Embora haja todas
Afinal...
O tear que tece as nossas vidas não tem pontas soltas
Todos os fios estão revestidos de significados
Há também a música
Mas esta, apenas complementa a inspiração
Há a loucura em toda a parte
Meu pé está dormente
Minha cabeça latente
Meus olhos não fixam
É o minuto das sensações perdidas
Nada é salvo
Tudo é lavado como uma onda
Tudo assim é renovado
Se transforma e se recria
Dependendo do esforço
A medida das coisas
É expressa pela medida da vontade
Criar sem medo requer a coragem proporcional
Ao tamanho da coisa a ser criada
A pergunta é
Tens coragem de criar?
Como se a alma dependesse disso?

By: Bruno

Um comentário:

  1. Teu caráter confessional e narrativo de imagens e emoções é por extremo expressivo, o que nos faz nitidamente viver a cena que conta e sente.

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