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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Exposição à linguagem


O coração verde dos pássaros me folheia 
sentimentos inéditos que me invadem
E a palavra que nas moscas se repoltreia
Em forma de zumbido, me são filmagens 

Tudo que é rejeitado pela razão
Chega ao poema, eu incluso
Pois o alarido de coisas em rejeição
Perfumam de jasmim o cantinho recluso

Ao qual pertenço, escondido por paredes
De sílabas, que me são paisagens
Como as frutas são pastagens 
Para as moscas que têm tanta sede!

Sou assim, enfio pregos enferrujados
Nos sonetos, oxidando os substantivos,
Fico olhando o fio de água da calçada
E percebo ali um tribunal sem alçada

De bactérias e protozoários embebidos em sabão
E na boca da vida, a palavra apodrecendo,
Desgostosa de ir na linguagem se revivendo,
Vestindo o terno emprumado do tempo em progressão

Que me mostra que ser chão depende da prática
De ser sozinho, atacado por árvores alienadas
No mesmo grau das pedras, vizinhas desejadas
Pelos musgos que as povoam da moda fleumática 

Do desterro que há nos capinzais,
Onde os vaga-lumes acendem estrelas 
E a lua secava as aquarelas 
Que a vida forma, com lutas corporais

Enquanto um rio escorre de nós
Em formato de fala e de cidade
Suja e amassada da hora veloz
Que passa com a maior frugalidade

E eu, que negocio com o vocábulo
Sua próxima aparição
Funciono só com o meu vernáculo
No altar que acho nas flores em botão.

Eu sou quando e depois
Da palavra manifesta
Sou, pois
Uma impressão de seresta.

By: Bruno


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