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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Estiagem


Em uma xícara pesada 
Deposito meus lábios
Enroscando na pequena asa
Meus dedos trêmulos

Enquanto lá fora
O céu nublado
Se faz nasalado
Levando embora

A chuva que eu queria
A tempestade que não podia
Aparecer e nos envolver
A tempestade que eu tanto queria ver!

Queria eu tocar os telhados
Como tu tocas em sua passagem
Tão breve, em tão escassa folhagem
Nestes mundos tão afilados!

Nas telas das minhas pupilas
Pintada foi a serenidade
Peculiarmente destilada
De etéreas eternidades...

E em um pequeno copo
No qual deposito
Todo o meu escopo
Incerto e sem propósito

Espero sem pressa
A estiagem acabar
E assim se produza a nova remessa
De flores a desabrochar! 

By: Bruno

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