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sábado, 27 de agosto de 2011

The Dark Crow Smiles

Não vi tantas vezes a luz do sol quanto queria
Nem vivi tantas manhãs quanto deveria
Mas minha pequena história é capaz de estremecer o violino mais doente
Talvez até mesmo fazer chorar o sol poente
Mas tal comoção é exagero imenso
É preciso a população viver deste ópio tão intenso?

As estações tais como o amor são adornos formosos
Dotando o tempo de uma dolência e sabores brumosos
Porém como cosmopolita jamais desfrutei destes panoramas orvalhados
Mesmo assim meu imaginário acomete-me com estas visões aprimoradas

Impressiono-me como a vida pode ser tão inflamada de luz
Mas me contento com o alvor dos meus dias velados
Porquanto outros abobam-se dócilmente com seus peitos costurados
Apenas o verso copioso, o fulgor meloso e a ode mais ignota, aos meus lamúrios fazem juz!

Toda a vida contorna-se em um fabuloso plano
Recuso a ideia de perdurar por longínquos anos
Edifico-me e suspendo-me através destes versos nada soberanos
E por fim toda corda arrebenta, deixando cair mais um corpo humano!

Os oceanos que se apresentariam pacíficos
Hão de fazer isto apenas em nome do meu espírito
Posto que meu corpo já consumido adormece sob os prantos
Erguem-se nas mentes ofuscadas fortalezas que agem como mantos

Contrapor-se a vida certamente é bastante insolente
Segue-se um desapontamento, pois não hei de resvalecer impressões
Como interpretarão furiosamente as multidões
Rastejando por entre suas insatisfações da carne espiritual, rudemente

Naquele monstro adormecido há um anjo que aflora
Confirmando os azuis inalcansáveis e uma inacessível aurora
Que despertarão mais brilhantes com minha partida
Não mais enevoados por esta mente sofrida

Pureza e sensibilidade são belezas extraordinárias
Pobre alma minha derribada em sonho e paroxismo
Profundamente atraída para o abismo
Preso numa constante loucura e infindável amargura, ambas mortuárias

Há tanta coisa para ler
Há sim o mundo todo para ver
Mas já os perdi de modo a jamais achar
Tais coisas que meus imaturos olhos jamais poderão contemplar

E que dizer do amor? Gracioso e sepulcral
Tinge inadequadamente este coração espectral
Caduco, poeirento e viscoso, ordena-me a escrever
E numa gaveta rústica, guardar e esquecer

Não quero jamais ocultar meu ser da universal memória
Porém também não quero fazer parte de qualquer oratória
Escrevo tais pestilências por medo do esquecimento eterno
Posto que guardo em mim o odor do tempo e memórias do luar mais terno!

By: Bruno

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