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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O Inesperado


    Há encontros delineados especialmente pelo destino, para nos pôr a pensar. Enquanto havia rostos com expressões diversas, a que era reservada a mim, era a curiosidade por um discurso singular, promovido por quem depois eu descobriria ser um coronel aposentado, pelo qual eu manifestei interesse por palavras tão conectadas à sua experiência pessoal de vida. E conforme o tempo caminhava sozinho a completar a nossa estadia no mercado, na fila de um caixa, de modo inesperado continuamos a conversar. Se mostrando um homem religioso, aquele ser cativou a minha simpatia. E neste momento, invadiu meu corpo uma sensação de gratidão, por ainda não ser orgulhoso ou cético demais. Porque mesmo respondendo não ser muito religioso a ele, ele continuou seu discurso, confirmando a possibilidade de um aprendizado valioso com aquela situação um tanto inusitada.
    E enquanto as demais filas daquele mercado fluíam a nossa conversa paralisava o tempo, nos deixando separados da fluidez moral da qual o mesmo tempo que recaía sobre nós, aguardava o momento certo para ceifar a vida daqueles mais próximos à luz que nós. Aqueles conhecimentos que não convém compartilhar com quem possivelmente ler, fortaleceram minha alma, e vendo serenamente aquela conversa, confesso que senti um sofrimento idêntico ao da alegria de conhecer uma das poucas pessoas que ainda conservam em si uma sensibilidade anormal, uma orientação exclusiva de notar o que nossas próprias trevas tratam de esconder de nós mesmos. Como quando alguém descobre que as sombras das árvores podem proporcionar um abrigo seguro.      

By: Bruno

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