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segunda-feira, 4 de junho de 2012

As lágrimas de Gaia



Sou feliz por minha carne ainda não ter decomposto antes que meu espírito
Corroído e cansado, raivoso mas inofensivo, esticado porém mantido clássico
Temo por um controle cada vez mais absorto da realidade, tão hemorrágico,
Tão inconstante, quanto a deserção do meu amargor manuscrito

Sempre copulando insaciável com uma garrafa de vinho, enaltecendo
Bruscamente os lampejos eclípticos que ondulam inconsistentes, 
As invocações desesperançosas dos estrelados e inconscientes
Caminhos proibidos, que atraem com a gentileza de suas mãos, tecendo

Insinuações secretas, guardadas apenas pelo meu olhar curioso
O pasto seco de outono é testemunha talvez do vazio dos meus passos
E embora os substantivos me proporcionem uma capa, é insidioso
Meu pensamento que me arremessa a umas esperanças lassas

E quando as lágrimas de uma Gaia atordoada caírem manchando minhas visões
Conversarei com essas imagens borradas, caso a cegueira delas não ilumine meus versos
De modo a não atravessar o laço do tempo apenas com um cálice sem verdes razões

É estranho ler nas gotas que enegrecem ainda mais o cimento
A alquimia do conteúdo dos cálices que abrigam mil janelas embaçadas
Sem acreditar um pouco mais em meu perdido lamento!

By: Bruno

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