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sábado, 20 de setembro de 2014

Rupturas


O próprio verso o diz
Mas o que realmente fiz
Foi mais que cortar-me
Foi perder-me.
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Sob matizes despigmentadas e esparsas,
Minh'alma corteja bailando, 
As cicatrizes que vão formando
As dezenas de rupturas em marchas.

De eternos e languentes amores
A cintilar nas inspirações,
Apenas senti efêmeros fulgores
Constituindo carnais contrações.

Diluindo-me em montantes,
Achados nos alheios horizontes,
Mas perdidos aos montes,
De meus próprios caminhantes.

Que amargas palavras procuro
Para descrever as doces dores
Que pairam em meu céu obscuro,
Céu desses encantados, amores,

Que de espontâneos martírios,
Discorrem eloquentes delírios
Que, de rima em rima me desmontando
Vão, na medida em que vou amando.

A taça da ventura, nem sei se a sorvi,
Só sei que bem-aventurado, sorri,
Mas conhecendo de Sua foice ambígua 
Sei que esta atuação me é contígua

E não adiantam grinaldas d'oiros,
A locupletar meu lânguido martírio;
Jamais escutei um único suspiro,
Dos variegados e idealizados Zéfiros

A habitar meus profundos silêncios
Se comportando como se fossem
Antigos moradores que se creem
Ser meus verossímeis Concílios...

Bruno Borin

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