domingo, 7 de dezembro de 2014

Dissonância


A Biwa polvórica que urde em minha cabeça
Em assomos de desejos pagãos e líricas 
Foices, aprazem o delírio da fímbria Caleça
Que ri, quando a carne se enfastia de males físicos

Inseminando amores tão irreais quanto secretos
Me convencendo possuir, de todas as grandezas
Um coração proceloso o suficiente para os poemetos
Do amor, para as sinfonias da satisfação e das belezas

Porém, do sacrário apenas fico com as sombras
Os santos todos se foram e levaram minha pureza
E as vozes das memórias me culpam por tanta crueza
Porque de sinfonia, sou em verdade as obumbras,

Plenilúnios e todas as coisas baças de se ouvir
E somente em minhas catedrais posso sentir
O mundo que me envolve em severas obrigações,
E soçobram como fúlgidas quimeras, minhas disposições

E só na arte consigo voar no delírio do verbo,
Só entre as palavras sou uma vogal completa,
Só na embriaguez do sangue sou lúcido e repleto,
Coisa feliz, triste, longe de unção, eu exacerbo,

Suspenso, considerando a hepática sobriedade,
Concílio de mistérios comungados com mentiras
Oradas pelas estrelas, porque nenhuma frugalidade
Brota, senão com as cores que das interiores Piras

Emergem, entre soluços vindos das Grades do Peito
E da dissonância de carregar asas feitas das incógnitas
Vastas, inacabadas, depenadas, que palpitam no pleito
Do próprio sentir, tão único que rebenta em tecituras malditas!

Bruno Borin

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