segunda-feira, 16 de maio de 2011

L'accordeoniste

Caminhando a uma estação de neve
Aos pequeninos passos da menina
Vivendo dos sons amenos e que uma paz descreve

O tempo é leve para a menina
Uma pequena magia que do acordeón começa
Ao coração dos espectadores alucina
Tudo tão sereno e indescrítivel

Tudo tão despretencioso e inocente
A despreocupação até é incoerente
Mas o tempo não existe para a menina
E seu acordeón em constante entoação
O som em que a atenuação caminha indelével

Todos os males cessam
Há uma simplicidade tão desprezível
Mas nenhum dos efeitos pesam
Diante da grandeza inexplicável

A estabelecida paz
Reina agora por céus inocentes
E horizontes infinitos notam a menina sagaz
E até em outras dimensões escutam crentes
Todos os seres apreciam
Uma melodia portadora de todas as coisas boas
Que faz a inocência perdida outra vez cobiçada

By: Bruno

sábado, 14 de maio de 2011

Sou Deus?

Eu crio, desde uma simples doçura
Até a mais impura das rebeldias
Resumo minha vida em dias
Minha alma envolta em diabruras

Minha palavra é revestida de invencível encanto
Sou Deus que gera dos sóis um pranto
E tal lacrimal ação aos ventos são enfeitadas
E de tal modo em meu vaso atemporal enfeitiçadas

Sou um glorioso Deus e me orgulho disso
Minha criação amorfa se espalha sem compromisso
Meu nome era outrora tanto citado
E em várias eras fui eternizado

Óh sombras encarquilhadas
Envio-vos para céus maduros
A o que exatamente estão destinadas?
Escrevam seus desejos nos muros
E tornem isso a magnânima poesia humana!

Sou Deus porque de meu múltiplo coração
Saem as mais diversas criaturas constituídas de palavras
Compondo assim a danação da vossa imensa estupidez
Da minha jovem alma artista
Vos digo que paro aqui
Esta estranha declaração!

By: Bruno

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Mephisto


Preso por fios nas mãos do destino
Eu evito a luz arisco com sopetão repentino
A manhã taciturna me é odiosa
Viventes se comportam de forma tão caprichosa
Que asco!

Cubro o sol de um negro véu
E assim afronto a luz do bonançoso céu
Minha loucura acende sob a luz dos lumiares
Para ser taxada e reprovada por rústicos olhares
E eu grito fortemente: Eu odeio a luz

Que se faça a arte
A partir da crueldade
Pois só há graça e esplendor
Na morte! Belo espectro sonhador
Revoltem-se mas me deixem em paz!
O âmbar da minha carne no abismo jaz

Eu destruirei a luz
Como a guerra que lhe faz juz
E de rima em rima
Cada vez mais olho para cima
E me vejo distante de seres que a vida prezam
Pois meu rancor e sofrimento de nada pesam
Nem meu pensamento
E nem estas pífias tentativas de ser nobremente
Um poeta
Posto que numa alegoria incoerente
Me escondo malditamente!

By: Bruno

Poète mortis

O meu coração se aviva
Devido ao vinho afásico
Da grande morte, óh magnífica diva

Há uma estranha flama em meu negro espaço
O´h Deus ignore esta alma corrompida
Diante de uma cidade de concreto e aço

O meu riso de nada é amargo
Quando da sua alegria extraio
Sua bondade, meu maior elixir, seu embargo

Meu coração grita por você, morte
Diva do coração dourado
Meu vibrante clarão, minha pequena sorte

O meu obscuro ser clama
Pela neve inscrita num fututo livro
E que nunca se apagará, posto que é chama

Os céus que se abram para tal fulgura horrível
Meu Deus tem piedade deste novo pavor
É tão malígno que até eu peço que seja banível

Seja ela a morte dos pobres
Seja ela a morte do vinho
Seja ela a morte EM PESSOA!

By: Bruno

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Balão


O mundo é igual ao seu apeitite profundo
As palavras lidas engrandecem ao resplendor das lâmpadas
As figuras, as imagens, retorcem em uma espiral nas estampas
O coração cheio do saber respeitavelmente profano

As flores trazem a alma cheia
Instigam nuvens disformes
Volúptosa fome de segredos enormes
Suas pupilas mordem e degredos que os cobreia
Estouram como um balão ligeiramente

Um balão, dois balões, três e até dez
Sãos suas vontades e o meu espanto misturados
Cérebros em intimidades, sôfregos apunhalados
Seus passos em volta da figueira abalam minha solidez

Seu tédio não se desfará como as estrelas
No ateu céu esquisito, ilusional
Curiosidade ávida, credo como és infernal!
Festim inglório que me rói as costelas

Não é do meu feitio maldizer
Mas é de mal agouro estourar um balão
Lapidado com confiança humana e frágil
Feito carmessim ágil
A percorrer as veias em aflição
O hábito posto a correr
Incoerente e em suma danoso!

By: Bruno

sábado, 7 de maio de 2011

La petite boutique

Copo a copo os cérebros humanos se põem a sonhar
Um místico e charmoso elo se cria
Algo que se põe em situação fastia
Vamos todos os dias os prazeres celebrar

Tu, soberanamente andando, de efêmeros traços
De quem ao olhar me escondo
De quem quando distrai, à antenção respondo
Olhos verdes e asas de distintos aços

Compondo o belo corpo traços fabulosos e planos
Na botique onde o som do piano é dolente e doce
Não combina com tal pudor tantálico, precoce
Canso de adjetivos e de música, meus versos deviam ser soberanos

Por quantas vezes me portei desvairado
A insolência da minha rudeza
Cruel má criação minha, de família essa natureza
Poderia eu ser perdoado? Um espírito variegado?

Pela taverna versos sem sentido ecoam
Você responde como lhe é possível
Bebendo, aviso, não sou atingível
Meus versos nem Deuses abençoam

By: Bruno

Sinfonia magnético-industrial

Os carros, as poucas árvores
Eis a civilização
Poeira, concreto, fumaça e vidro
Eia problemas cárdio-respiratórios
Respirar a sufocante fumaça da cidade
Desnorteia-me eficazmente
Óh selva de concreto desalmada
Me faz dançar uma música desbaratinada
Oficina do Diabo
Range e grunhe sem pudor
Este maquinário
E me movimento tanto
Mal a caneta tinge o papel
Tremo como se não houvesse labirinto
Órgão pequenino e defeituoso
Eia a trupe ordinária e infinita de carros
Tédio imoral, ócio do trânsito
Eia a desgraça da cidade
Desgraça que me atrai, propulciona
E que eu amo!

By: Bruno

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Sem rastros


As nuvens não deixam rastros no céu
Tão frágeis...
Exatamente como a minha existência
Onde as flores caem antes de florecerem totalmente
Eu sempre me opus ao curso do meu coração
A única coisa que eu ganhei com isso
Foi ficar cada vez mais perdido
O crisântemo branco permanece no vento de outono
Pode ser considerado as ondas brancas do oceano?
É triste depender do calor da luta pela vida
Mas é como o destino funciona
Caminhar sozinho por uma trilha da montanha
Com o manto da inocência molhado pelo orvalho da manhã
Até secá-lo completamente
E que cada gota daquela endureça minha alma
É um fato monstruoso e trágico
Mas deve ser seguido em meio à névoa
Até seu fim.

By: Bruno

Happy Hour

A arma já vem embrulhada no restaurante alemão
Na tinta da caneta jaz a vermelhidão do sangue
Na taça a vermelhidão do pudor
E a arma coloca-se em punho agora
Os dizeres da mulher são impróprios
E ela nem faz abuso de acool
Somente de sua loucura
Há quem diga falta de juízo
Herdei-lhe da loucura e da fome?
O fulgor da sede me consome
A taça se esvazia calmamente
A fome esfola minhas entranhas
O jardim de enfeite é mera ilusão
As fotos mostram um passado estrangeiro
Do qual nunca fiz parte
Estou apenas ali para alimentar-me
E isso!

By: Bruno

terça-feira, 3 de maio de 2011

Tarde de verão

Olhando para o por do sol numa tarde de verão
Tocando no piano suas notas favoritas
Eu não quero mais pensar em você
Mas sei que não consigo parar de me importar
Tantas reminicências de passados que não existiram
Jazem nas gotas de orvalho
Viajo por entre as magnânimas cores do aro-íris
Teria em seu fim uma suprema fonte de dinheiro?
Há sim o tonel desgraçado com um pérfido duende a roubar-lhe a alma
Então cuidado jovem alminha
Não quero que se perca aonde o som da chuva não ecoa
Não quero ter que me preocupar
E posteriormente semear delírios infantes
Portar uma felicidade que se esfumaça lânguida
Uma desgraça que se espalha ao redor da alma
A tingindo de um negrume abissal
E mostro meus olhos sujos
Aumentando este poema
Meus olhos poluídos de devaneios
Cansados de deliriar com sua imagem
Animados por não distinguirem a realidade da ilusão
Não posso confiar mais neles
Nem em meus outros sentidos
E meu tato deteriorado some em horríveis náuseas
Meu corpo não se desintegrará como eu quero
Ainda sobrará essas malditas memórias
Como um pó assoprado aos elíseos.

By: Bruno