domingo, 7 de novembro de 2010

"Procure no dicionário a palavra amigo, e a nossa fotos estará lá"

Dedico a todos vcs meus amigos!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Poema do agora

O carro se colocava
as crianças brincam
bolas se batem
a árvore chora gotas de orvalho
os gatos da vizinha miam
a árvore da esquina remete uma solidão
que esta árvore que chora não tem
a tevê do vizinho está ligada
a luz da rua também
o menino me observa
a moto passa
a gata se lambe
é o agora se tornando o passado
ao menos que você volte no tempo
passado se tornará presente
foi um futuro?Talvez
planejado, não, com certeza
miado, descontentamento, reprovação, FIM

By: Bruno

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Álvaro de Campos
A página continua em branco
o coração sangra
não sei como falar o que sinto desta vez
é como um corte profundo
mas não estou morrendo
não consigo me lembrar da cor dos seus olhos
esse amor hemorrágico não leva a lugar algum
a alma é partida em pequenos grãos
e lavada pela água
sem conseguir se purificar
forçar a mente é um gesto vago
não há como lembrar daqueles dias
corro pela chuva
buscando os traços de um vulto
que acaba de virar a rua
eu não deveria me importar
deveria render-me à treva
ao conforto do grande abismo
para onde todo aquele sangue meu
deve ter escorrido

By: Bruno

Canção do Exílio distorcida; Ode de Haloween

Minha terra tem palmeiras da califórnia
os gatos daqui não miam como os de acolá
comem os pássaros que piam à goçalvez dias
as bruxas voam aqui
como não voam acolá
esta terra, dona de uma brisa leve
carrega aquelas moças cadavéricas
em suas vassouras, com seus gatos pretos
meu amigo diz um aff
desapontado
mas hoje é dia muito feliz
carrega livremente este ar nefasto
por sobre nossas cabeças
a magia está solta
as abóboras mais assustadoras
observam-nos, fixamente
há gente queimando
nas fogueiras
purificando suas almas
amantes do haloween
cantando uma melodia
irreconhecível
enquanto alguns comemoram
seriam estes mais amantes do haloween
do que nós?

By: Bruno

Romã

Minha romã romãzinha
cheirozinha, coloridinha
Tens vergonha querida?
Pois saiba que não precisa benzinho
Tu és docinha como a pera
que meu tio mostra

Essas lâmpadas que tem aí são pequeninas
e devem dar um gasto danado né?
Fiquemos no escurinho da treva
Tua flor não me espeta como a da rosa
cuja clareza remete à luxúria
Tua pureza me encanta
Pureza de romã, beleza virgem de botão de flor
a desabrochar
Te esperarei querida, leve o tempo que quiser
enquanto coleto essas palavras inexatas
de um banco de dados cósmico
que minha mãe cansa de aludir
Será verdade?

By: Bruno

Vampyroteuthis Infernalis



Ode aos moluscos

Criaturas pálidas, multicolores
pintam o abismo com tuas presenças
Dai vida a mais fastia das lulas
morba, espectral, amorfa
Viva a vampyroteuthis
companheira abissal
dos sonhos profundos
dos pesadelos horrendos
ludibria meu imaginário
questiona meus sentidos

Olho o vaso vermelho do móvel
e me lembro dela
maravilhosa nefasta condessa da treva
Óh demonologia inexata
Cobrem dela uma explicação,
pois eu não a tenho
Só aludo a beleza amorfa da querida
Vampyroteuthis Infernalis

By: Bruno

domingo, 31 de outubro de 2010

Adeus oh luz solar

1
Para quê querer-te bem
oh infindável luz da vida
se você fere bruscamente minha visão?
Interrompe abruptamente os meus sentidos
oh inocente luz que se vai
devo eu partir antes da sua volta,
pois você não há de me fazer bem algum
Somente recobro os meus sentidos
quando aquela que durante a sua estada
neste danoso céu retorna das profundezas
É de meu agrado a ilustre compania e somente
dela oh gloriosa escuridão
Devo pedir-lhe gentilmente
que me mostre a modesta face
do abismo, sua morada
seu e meu luar?

2
Para que serventia se presta
ser humano?
Hei de enumerar os desprazeres?
Oh humanos, ando tão cansado de vós
não encontro motivos para amá-vos
nem para odiar-vos
Mas há o fastio acontecimento
de os desprazeres desta vida, desta espécie
e desse corpo superarem em demasia os
tais prazeres...
Humanos: apresentai um de vossa escória
e diga se não é uma maçada a luz solar?
Humanos: um último pedido
e então deixo de vos atormentar
enumerem os desprazeres e os prazeres
e tentai convencer-me!

By Bruno
Como seria ver teus olhos uma última vez?
Estancaria meu coração que sangra inesgotavelmente
não hei de querer outros amores
somente o teu me faz sentir vivo
somente o teu me atrai para fora da treva
me faz querer ajustar-me
hei de voltar um dia?
deixarei destrancada a porta
onde naquele passado luxurioso
conheci a felicidade
porém com a falta do ópio
percebo que não passava de alucinações
ao menos você como humano era real...

Como aquele sentimento embriaga nossas mentes
ludibria nossos corpos
entrelaça nossas almas
e não é real?
Permanece naquela lembrança enevoada
o reflexo dos seus olhos
um poderoso azul
avistado através daquele espelho
mesmo que por só uma noite
aquela visão dominadora
domina até a ação destas palavras atuais
obrigam a reescrever até mesmo
o que não passou de alucinações
sobre aqueles olhos azuis como o céu
e salgados como o mar....

By Bruno
Não há o que ser escrito
que já não exista em algum lugar
neste vasto, vago universo
multidimensional, tedioso
qual seria minha função então?
re-inventar o já escrito?
entristecer-me a base de
palavras e pensamentos
profundos porém pífios?
é certo, este grande tédio da vida
nunca passa, escrever só alivia
uma dor psicossomática, inexistente
mas essencial,
dor essa que aniquila a esperança
e enfeita a solidão.

Se estas palavras jamais te alcançarem
vou pegar meu corpo vivo e jogá-lo fora,
pois a busca constante por esses fragmentos
chamados felicidade, despedaça minha alma
Para que tantos caminhos?
você está em todos os lugares?
Então leve-me diretamente a você
já não basta o meu tédio
a minha dor? a minha função inexistente?
Mesmo que for tudo uma ilusão
quero perder-me nela
fazer da minha mente mil pedaços
guardar no meu coração a sua ternura
colecionar os sonhos que um dia foram teus...
Não quero fugir desse sofrimento
quando já estou suficientemente alienado
não me renderei, nem mesmo a luz poderá vencer-me
nesta escuridão, junto às cinzas
minha função não está obsoleta!

By Bruno